Meditação

Diagnóstico Espiritual

Publicado em: novembro de 2017 | Categorias: Meditação

Geralmente quando uma pessoa vai ao médico apresentando sintomas de uma doença, o profissional pede exames dos mais simples aos mais caros e sofisticados que irão ajudar a detectar e confirmar ou não o problema. As radiografias por exemplo, são feitas através de raios que atravessam o corpo humano e fotografam o seu interior localizando onde está a doença.

O apóstolo João no livro do Apocalipse, recebeu uma visão ou revelação de Deus, quando estava na Ilha de Patmos,  e ele escreveu o que recebeu do Senhor, por meio de cartas às 7 Igrejas da Ásia Menor. João, podemos dizer, que fez uma “radiografia” ou seja, descreveu a realidade espiritual de cada uma daquelas igrejas, de acordo com o que Deus lhe revelou pelo Espírito.

Jesus, aquele que sonda mentes e corações, continua advertindo sua igreja hoje, a fim de que se santifique, que volte ao primeiro amor para aguardar Aquele que vem sem demora. A Igreja de nossos dias tem sido assolada por alguns males, que estão tentando enfraquecê-la, desviá-la de sua verdadeira essência e missão que Jesus claramente estabeleceu na Palavra. Há algumas “doenças” que precisam ser curadas e removidas da vida de muitos que já confessaram o senhorio de Cristo. Jesus quer que sua igreja seja encorajada e curada, pois Ele conhece a cada um de nós, de acordo com o que fazemos ou temos deixado de fazer como Igreja de Cristo. Que diagnóstico Ele tem feito de Sua igreja hoje? O que o Senhor diz ao nosso respeito quando vivemos o nosso dia a dia, no nosso lar, onde trabalhamos, onde estamos inseridos na sociedade?

Numa mesma Igreja podemos encontrar gente cheia do Espírito e gente vazia de Deus. Aqueles que querem apenas impressionar, mas também aqueles que servem de todo coração.  A frieza espiritual, que podemos definir como indiferença para com as coisas de Deus, tem roubado o verdadeiro significado da vida cristã de muitos filhos e filhas de Deus. A caminhada do dia a dia num mundo tão conturbado, cheio de atrativos e apelos carnais, sob vários aspectos, tem gerado desmotivação na vida de muitos em relação às coisas espirituais.  Criou-se uma mentalidade religiosa no coração de muitas pessoas, de modo que a vida de intimidade com Deus tem sido negligenciada, ou se tornado algo superficial e automático. Quantos apenas frequentam um culto semanal e parecem estar satisfeitos espiritualmente. Não há tempo para oração, meditação, estar a sós com Deus, participar de uma célula, ou evangelizar o amigo de trabalho ou dar atenção ao vizinho que está passando por necessidade.  Tudo que desejamos como Corpo de Cristo, é que possamos entender e discernir, que a vida cristã é muito mais profunda do que determinadas práticas.

O apego às coisas materiais, o intelectualismo, a autossuficiência, o bem-estar social, o comodismo, o egoísmo e tantos outros ismos vão gerando uma frieza espiritual, que por sua vez, vai levando o cristão ao afastamento da comunhão de intimidade com o Senhor. É muito triste perceber que muitas vezes, por motivos pequenos e até banais, um esfriamento espiritual vai sendo gerado no coração do crente e ele/ela nem sente que está se distanciando do que há de mais precioso, o cultivar e viver em relacionamento de amor com o Pai, de conhecer e servir a Deus, de ser cheio do Espírito Santo, ter prazer na vida de oração, na comunhão com os irmãos nos cultos, liderar e participar de uma célula, compartilhar o amor de Deus, se alegrar no Senhor. Enfim, não perder o foco e a essência do que é a verdadeira vida cristã.

O alerta da Palavra de Deus para sua Igreja é: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te… arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; ” (Ap 2: 4,5a). Esse amor sobre o qual o apóstolo João chama nossa atenção, consiste em amar a Deus sobre todas as coisas. É um amor como um fogo de grande intensidade, no íntimo dos nossos corações, que coloca Jesus como real prioridade acima de tudo e de todos. É um amor quase inexplicável em que podemos chamá-lo Aba, Pai, que quer dizer papai, “…pois recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos Aba, Pai” (Rm 8:15). Não é um amor proveniente apenas do conhecimento intelectual, ou  distante, mas algo a ser vivenciado, pois o cristão é parte dessa grande família cujo Pai é amor, pois Deus é amor. Que possamos abrir mão de tudo, quem sabe até de maneira sacrificial, para que o amor de Deus revelado em Cristo Jesus, seja visto em nossas vidas por meio do que somos e fazemos em nosso cotidiano. Madame Guyon escreveu: “É impossível amar a Deus sem amar a cruz… Deus nos dá a cruz e a cruz nos dá Deus”.